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Leishmaniose Canina
por Hospital Veterinário do Porto em 11 de Novembro de 2004
Doença sistémica provocada pelo protozoário Género Leishmania
Transmissão por picada de mosquito: Género Phlebotomus (atravessam os mosquiteiros)
Endémica: Mediterrâneo e Portugal
Mediterrâneo, espécie que afecta os cães: Leishmania infantum
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Patogenia
Ciclo:
Só a fêmea do mosquito é que pica e adquire os amastigotas. É mais activa no crepúsculo, ao fim da tarde;
Multiplicam-se no intestino do mosquito promastigotas;
Pela picadura do mosquito passam ao cão;
Multiplicação activa dentro dos macrófagos do cão infectado;
Distribuição órgãos hematopoieticos, especialmente a medula óssea. Migram: pele, fígado, rim, aparelho digestivo, coração, articulações, próstata, todos os órgãos;
Esta disseminação é diferente para cada animal.
Nem todos os animais infectados desenvolvem a doença.
Existem cães que são sensíveis à infecção por Leishmania e outros cães são resistentes devido a:
Imunidade mediada celular através dos linfócitos T, do subtipo Th 1 que produzem Interferon Gamma e outras citoquinas. O Interferon Gamma induz a síntese de um enzima nos macrófagos que cataliza a formação de uma substância de efeito leishmanicida;
Imunidade humoral: os anticorpos não são protectores e são pouco eficazes quando o parasita se encontra dentro dos macrófagos.
Em animais sensíveis não se produz resposta imunitária infecção de pele disseminação por todo o organismo.
Existem diferenças genéticas da resposta imunológica.
Animais e raças com diferentes capacidades de resposta frente a Leishmaniose.
Os sinais clínicos podem demorar meses ou anos a aparecer .
Dois tipos de lesões nos cães:
Reacções inflamatórias granulomatosas não supurativas nos órgãos afectados (como acontece na pele)
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Produção de imunocomplexos circulantes que se depositam nos glomerulos renais, vasos e articulações, como consequência da persistência dos antigénios circulantes que provoca uma estimulação antigénica crónica.
Quadro Clínico
6 meses a 12 anos;
Não há predisposição de sexo;
62% são cães de raças grandes;
Quadro clínico amplo e variado;
Evolução lenta e progressiva;
Doença crónica.
Aumento de gânglios linfáticos
Anorexia
Depressão
Seborreia seca

Perda de peso
Febre
Pioderma
Coxeira/artrite e sinovite
Diarreia
Vómitos
Epistáxis

Esplenomegalia
Poliúria/polidipsia
Uveítes
Derrame Pericárdico
Arritmias com insuficiência cardíaca
Insuficiência hepática
Nem todos os casos apresentam este conjunto de sintomas o que torna o diagnóstico difícil.
Lesões Cutâneas
São frequente, não pruriticas, nem dolorosas
43% dos casos / diagnóstico
Alopécia e seborreia seca, orelhas, zona periocular, extremidades e dorso

Dermatites ulcerativas no prepúcio, boca, pontos de pressão.
Nódulos com aspecto tumoral na pele ou mucosas 3,4%
Rim
No momento do diagnóstico, 34% dos cães apresentam insuficiência renal, 18% doença glomerular sem insuficiência renal, glomerulonefrite membranosa: formação de imunocomplexos circulantes que se depositam na parede dos vasos do glomerulo dando origem a falha renal e proteinúria: o seu valor indica-nos o grau de lesão do rim.
Diagnóstico
Observação directa de amastigotas do parasita dentro ou fora dos macrófagos: medula óssea, gânglio linfático, pele, líquido sinovial ou qualquer outro tecido ou líquido.
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Punção de Medula óssea: diagnóstico 90,7 %
Gânglio: diagnóstico 83%
Citologia aspirativa nódulos da pele, articulações, baço e fígado, por aposição em mucosas e pele.
Biópsia de pele: Imunoperoxidase.
Serologia: Podem ajudar, mas só nos indicam a presença de anticorpos, mas não necessariamente a presença da doença.
% elevada de títulos positivos desenvolvem sinais clínicos.
Teste serológico negativo: doença pode estar presente.
PCR: demonstração do DNA de Leishmania na medula óssea ou outros tecidos: o mais sensível e específico.
Análises Clínicas:
Anemia não regenerativa 45%
Hiperglobulinemia 100%
Insuficiência renal:
Uremia
Hipercreatinemia
Proteinuria
Síndrome nefrótico:
Hipoalbuminemia
Proteinuria
Hipercolesterolemia
Ratio Proteina-Creatinina
Tratamento
Carácter crónico;
Difícil cura;
Resposta variável de cada animal;
Apesar do tratamento: recaídas e/ou reinfecções;
Tratamentos e controles periódicos;
Zoonose.
Animais com envolvimento cutâneo:
Glucantime 60-100 mg/kg via sc dividida em duas injecções diárias até cura clínica
Alopurinol 20mg/kg via oral repartido duas vezes ao dia, de forma continua e sem interrupções (no mínimo um ano)
Controle de proteínas totais e Proteinograma de 6 em 6 meses
Animais com Proteinúria (aumento de proteínas na urina)
Alopurinol 20mg/kg via oral repartido duas vezes ao dia.
Dieta Específica rim
Animais com Insuficiência Renal:
Alopurinol 10mg/kg
Dieta Específica rim


