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Áreas de Especialização » Endocrinologia
Diabetes Mellitus

por Dr. Pedro Almeida em 30 de Janeiro de 2005

O que é a Diabetes Mellitus?

Existem duas formas de diabetes em cães: diabetes insipidus e diabetes mellitus. A diabetes insipidus é uma desordem muito rara que resulta na incapacidade de regular o conteúdo de água corporal. O seu cão padece do tipo mais comum de diabetes: diabetes mellitus. Esta é uma doença relativamente comum e aparece mais frequentemente em cães de cinco ou mais anos. Existe uma forma congénita que ocorre em cachorros, mas é rara.

A diabetes mellitus é uma doença do pâncreas. Este é um órgão de pequenas dimensões mas vital, localizado nas proximidades do estômago. Possui duas populações de células significativas. Um grupo produz as enzimas necessárias para uma correcta digestão. O outro grupo, denominado células-beta, produz uma hormona chamada insulina, responsável pela regulação dos níveis de açúcar do sangue. De um modo simples, a diabetes mellitus traduz-se na incapacidade do pâncreas regular o açúcar do sangue, por alteração da produção de insulina.

Algumas pessoas com diabetes tomam injecções de insulina, enquanto outras tomam medicação oral. Isto também se verifica nos cães?

Nos humanos foram descobertos dois tipos de diabetes mellitus. Ambos se assemelham na incapacidade de regular o açúcar sanguíneo, mas o mecanismo básico da doença difere algures entre os dois grupos.

Tipo I ou Diabetes mellitus insulino-dependente, traduz-se na destruição total ou quase completa das células beta. Este é o tipo de diabetes conhecido nos cães. Tal como o nome implica, os cães com este tipo de diabetes necessitam de injecções de insulina para estabilizar o açúcar sanguíneo.

Tipo II, ou Diabetes não insulino-dependente, é diferente, uma vez que algumas das células produtoras de insulina ainda permanecem funcionais. No entanto, a quantidade de insulina produzida é insuficiente, há um atraso na resposta para a sua produção, e os tecidos corporais dos cães são-lhe relativamente resistentes. As pessoas com este tipo de diabetes podem ser tratadas com uma droga oral que estimula a produção ou libertação de insulina pelas células funcionais remanescentes numa quantidade adequada para normalizar a quantidade de açúcar no sangue. Como a diabetes tipo II não ocorre em cães, a medicação oral não é apropriada para o tratamento de cães diabéticos.

Porque é que a insulina é tão importante?

O papel da insulina é muito semelhante ao de um porteiro: ela permanece na superfície das células corporais e abre a porta, permitindo a passagem da glucose da corrente sanguínea para o interior das células. A glucose é uma substância vital que providencia muita da energia necessária para a vida, e tem de funcionar dentro das células. Sem a quantidade adequada de insulina, a glucose fica impossibilitada de entrar nas células. Acumula-se no sangue, dando origem a uma série de fenómenos que podem, em última análise, revelar-se fatais.

Quando a insulina se encontra em quantidade insuficiente, as células ficam famintas de uma fonte de energia. Em resposta, o corpo começa a quebrar os armazenamentos de gordura e proteína para as utilizar como fontes alternativas de energia. Como consequência, o cão come mais; então temos perda de peso num cão com um apetite devorador. O corpo tenta eliminar o excesso de glucose excretando-a pela urina. Contudo, a glucose (o açúcar do sangue) atrai a água; assim, a glucose urinária arrasta consigo uma grande quantidade de fluídos corporais, resultando na produção de uma elevada quantidade de urina. Para evitar a desidratação, o cão bebe mais e mais água. Assim, aparecem os quatro sinais clássicos de diabetes:

Perda de peso, aumento do consumo de água, apetite devorador, aumento da micção.

Como é diagnosticada a diabetes mellitus?

O diagnóstico de diabetes mellitus, baseia-se em três critérios: os quatro sinais clínicos clássicos, a presença de um nível elevado persistente de glucose na corrente sanguínea, e a presença de glicose na urina.

Máquina de Medição da Glicémia

O nível de glucose no sangue encontra-se entre os 80-120mg/dl (4,4-6,6 mmol/L). Pode ascender aos 250-300 mg/dl (13,6-16,5 mmol/L), após uma refeição. Contudo, a diabetes é a única doença comum que provocará o aumento de glucose sanguínea acima dos 400mg/dl. Alguns cães chegam a ter o nível de glucose na casa dos 800mg/dl (44 mmol/L), embora a maioria se encontce entre os 400-600mg/dl (22-33 mmol/L).

Para evitar que o corpo perca a glucose necessária, os rins não permitem a sua filtração a partir da corrente sanguínea até que um nível excessivo seja atingido. Isto significa que cães com um nível normal de glucose no sangue, não terão glucose na urina. No entanto, os cães diabéticos têm glucose excessiva no sangue, logo estará também presente na urina.

Testes

Quais são as implicações para mim e para o meu cão?

Para o cão diabético existe uma realidade: o nível de glucose sanguínea não pode ser normalizado sem tratamento. Embora o cão possa passar um dia ou mais sem tratamento e não entrar em crise, o tratamento deve ser encarado como uma parte da rotina diária do cão. O tratamento quase sempre requer algumas alterações na dieta e a administração de insulina.

Para si, o proprietário, existem duas implicações: o compromisso financeiro e compromisso pessoal.

Quando o seu cão estiver controlado, os custos de manutenção serão mínimos. A dieta especial, a insulina e as seringas não são dispendiosas. Mas, o compromisso financeiro é significativo durante o processo inicial de regulação, assim como no caso de surgirem complicações.

Inicialmente, o seu cão será hospitalizado por alguns dias para lidar com a crise imediata e para começar o processo de regulação. A “crise imediata” só é grande se o seu cão estiver tão doente que tenha deixado de comer e beber durante vários dias. Os cães neste estado, denominado cetoacidose, podem requerer uma semana ou mais de hospitalização com bastantes testes laboratoriais. Caso contrário, a hospitalização inicial poderá ser apenas por um dia ou dois, para que se possam realizar alguns testes e iniciar o tratamento. Nessa altura, o seu cão irá para casa e será você a administrar a medicação. No princípio do tratamento são necessárias consultas de controlo cada 3-7 dias para monitorizar os progressos. Poderá levar um mês ou mais para alcançar uma boa regulação.

Internamento de Paciente Diabético

O compromisso financeiro pode novamente ser significativo se surgirem complicações. Iremos tentar consigo alcançar uma regulação consistente, mas alguns cães são difíceis de manter estáveis. É importante que preste bastante atenção às nossas instruções relacionadas com a administração da medicação, dieta, e à monitorização em casa. Outra complicação que poderá surgir, é a hipoglicémia, ou nível baixo de açúcar no sangue que, se for severa, pode ser fatal. Isto pode ocorrer devido a inconsistência no tratamento, o que será explicado nos parágrafos seguintes.

O seu compromisso pessoal para tratar este cão, é imprescindível na manutenção da regulação e prevenção de novas crises. A maior parte dos cães diabéticos necessita de uma ou duas injecções diárias de insulina.

Têm que ser alimentados com a mesma comida, em igual quantidade e no mesmo horário, todos os dias. Se por acaso se ausentar, o seu cão terá de ter assistência adequada enquanto você estiver para fora. Estes factores deverão ser considerados cuidadosamente antes de decidir tratar um cão diabético.

O que é que o tratamento envolve?

A consistência é vital para um maneio adequado do cão diabético. O seu cão necessita de administração consistente de medicação, alimentação, além de um estilo de vida estável e livre de stress. Para melhor o conseguir, é preferível que o seu cão viva dentro de casa a maior parte do tempo. Embora não seja essencial, isto fará com que inúmeras variáveis incontroláveis, que podem causar a alteração da regulação, desapareçam.

O primeiro passo no tratamento será alterar a dieta do seu cão.

Ração
Pesar a Ração

As dietas ricas em fibra são preferíveis, uma vez que têm geralmente baixo teor em açúcar e são digeridas mais lentamente. Isto significa que o cão não tem que processar uma grande quantidade de açúcar de uma só vez.

As dietas de eleição são Glucomodulation control (High Fiber Diet)® Waltham para cães e Moderated Energy Program® Royal Canin para gatos.

A rotina alimentar do seu cão também é importante. Alguns cães preferem comer várias refeições diárias. Ou seja, a comida é colocada à disposição na taça a qualquer altura para alimentação livre. Contudo, esta não é a melhor forma de alimentar um cão diabético. A forma ideal é a de o alimentar duas vezes por dia, pouco antes da injecção de insulina. Se, actualmente o seu cão estiver sem um regime específico de alimentação, por favor tente alterar desde já o seu sistema de alimentação. Mas, se ele se mostrar renitente a mudanças alimentares, ou se tiver vários cães habituados a ter a comida á disposição, pode achar que esta mudança não é prática. O regime de duas refeições diárias pode também não resultar para si, sendo do mesmo modo essencial que tente encontrar alguma forma de controlar a quantidade de comida que o seu cão ingere.

O fundamento da regulação da glucose sanguínea é a administração de insulina mediante a aplicação de uma injecção. Muitas pessoas têm inicialmente receio de administrar as injecções de insulina. Se esta for a sua reacção inicial, considere o seguinte:

I. A insulina não causa dor ao ser injectada;

II. As injecções são realizadas com agulhas muito finas, as quais o seu cão quase nem sente;

III. As injecções são dadas em áreas mesmo por baixo da pele, o que torna praticamente impossível danificar qualquer órgão vital.

Por favor não decida se vai ou não tratar o seu cão com insulina, até nós lhe termos demonstrado a técnica de administração. Ficará agradavelmente surpreendido de como é simples!

Sobre a técnica de administração de insulina - Acerca da insulina

A insulina encontra-se acondicionada em vácuo num frasco, contendo informações sobre o seu tipo e concentração. Antes de a utilizar, misture o seu conteúdo. Tal como diz na bula, role gentilmente o frasco entre os dedos, não o agite. Isto é para prevenir a formação de espuma, que lhe impedirá realizar a medição da quantidade exacta. Além disso, alguns dos tipos de insulina usada em cães têm tendência a criar depósito, e se não a misturar convenientemente, o doseamento também não será correcto. Assim, o truque consiste em agitá-la o suficiente mas sem formar espuma. Uma vez que a espuma pode ser removida (tal como descrito mais à frente), é mais importante que misture a insulina convenientemente, do que a formação de espuma em si. Quando acabar de a misturar, vire o frasco para baixo e verifique se ficou algum pó branco aderido ao fundo. Nesse caso, terá de rolar novamente o frasco.

Insulina

A insulina é uma hormona que perde o efeito se for submetida à luz solar directa, ou a temperaturas elevadas. Deve, por isso, ser conservada no frigorífico, mas não pode ser congelada. Não se estraga se permanecer um ou dois dias fora do frigorífico, sem que esteja exposta à luz do sol, mas não é aconselhável.

A insulina é segura desde que seja utilizada de acordo com as instruções, mas deve ser mantida longe do alcance das crianças.

Preparar a insulina

Prepare a seringa e a agulha, o frasco de insulina e o cão. Depois siga os passos seguintes:

  • Remova a tampa da agulha, e puxe o êmbolo da seringa até à medida exacta a administrar.
  • Insira cuidadosamente a agulha no frasco de insulina.
  • Injecte o ar contido na seringa no frasco, isto previne a formação de vácuo no frasco.
  • Retire a quantidade exacta de insulina para a seringa.

Antes de injectar a insulina no seu cão, verifique se existem bolhas de ar na seringa. Se existirem, retire o dobro da quantidade que necessita, remova a agulha do frasco e dê pequenos toques com a ponta do dedo para provocar a subida das bolhas de ar ao topo da seringa. Depois expulse gentilmente o ar movendo o êmbolo para cima.

Posteriormente, verifique se tem a quantidade exacta de insulina na seringa. Esta pode ser confirmada se medir a partir da porção terminal da seringa, ou se estiver no zero nas seringas bloqueadas, até ao final da extremidade do êmbolo mais próxima da agulha.

Administrar a insulina

Os passos que deverá seguir são os seguintes:

I.Segure a seringa na sua mão direita ( ou na esquerda se lhe der mais jeito).

II.Peça a alguém para segurar o cão,enquanto você pega numa prega de pele no dorso do cão com a sua mão livre ( escolha um sítio diferente todos os dias).

III. Rapidamente introduza a agulha na prega de pele. Isto deve ser relativamente simples e indolor. Contudo, tenha o cuidado de ultrapassar com a agulha apenas uma camada de pele, e não no seu dedo ou duas camadas de pele.

IV. Para injectar a insulina, coloque o seu polegar no êmbolo da seringa e empurre-o até ao fim.

V.Retire a agulha da pele do seu cão. Coloque de imediato a tampa na agulha e separe-a da seringa

VI.Afague o seu cão para recompensar o facto de ter ficado quieto durante a administração.

VII. Não deite a seringa e a agulha no lixo doméstico. Junte-as e entregue-as nas farmácias ou ao médico veterinário, uma vez que eles dispõem de meios mais apropriados para tratar o lixo hospitalar.

Nota : Uma seringa pode servir em média para quatro administrações.

Não é necessário desinfectar a pele com álcool para a esterilizar, por 4 razões:

  • Devido à natureza da pelagem e do tipo de bactérias que vivem na pele dos cães, esfregar com álcool ou outro tipo de agentes anti-sépticos durante um breve período de tempo não é o suficiente para desinfectá-la.
  • Como uma pequena quantidade de álcool vai ser arrastada pela agulha, pode transportar consigo bactérias para o interior da pele.
  • O odor do álcool pode fazer com que o seu cão rejeite mais facilmente as injecções.
  • Se acidentalmente injectar a insulina na superfície da pele, não se irá aperceber. Contudo, se não utilizar álcool e a pele estiver molhada após a administração da insulina, significa que a injecção não foi bem dada.

Embora o que foi descrito anteriormente lhe possa parecer muito complicado no início, rapidamente se transformará em rotina. O seu cão depressa vai saber que uma ou duas vezes por dia tem que se sentar e ficar quieto por um breve período de tempo. Na maior parte das vezes, um carinho dado na altura certa será suficiente para que ele se torne totalmente cooperante!

Administração de Insulina

A monitorização contínua ou periódica é realmente necessária?

É necessário que os progressos do seu cão sejam monitorizados de uma forma regular. A monitorização é um projecto conjunto entre os proprietários e o veterinário.

Monitorizar em casa

A sua parte consiste em estar constantemente ciente do apetite, peso, consumo de água e quantidade de urina do seu cão. Deve alimentá-lo com uma quantidade constante de comida por dia, o que lhe permite detectar os dias em que ele não come o suficiente, ou que continua com fome mesmo depois da refeição habitual. Também deve pesá-lo pelo menos uma vez por mês, usando de preferência sempre a mesma balança.

Terá que desenvolver um meio de medir o consumo de água. O consumo médio normal é de cerca de 225 ml de água por cada 10 kg de peso corporal por dia. Como este valor é extremamente variável de cão para cão, o registo da quantidade de água ingerida por dia pelo seu cão durante algumas semanas, vai-lhe permitir estabelecer o que é normal para ele. Um outro modo de medir o consumo de água é baseado no número de vezes que ele bebe por dia. Quando devidamente regulado, não deve beber mais do que seis vezes por dia. Se este número for ultrapassado, deve então proceder a uma medição mais actual.

Nota: Qualquer alteração significativa na ingestão de alimento, consumo de água, ou quantidade de urina pelo seu cão, é um indicador de que a diabetes não está convenientemente controlada. Deve então levá-lo ao veterinário para serem efectuadas análises ao sangue.

Monitorização do sangue

Há dois tipos de testes sanguíneos que podem ser realizados para monitorizar o seu cão. Um deles deve ser realizado cada 3-4 meses se o seu cão parecer estar bem regulado. Também deve ser efectuado sempre que os sinais clínicos de diabetes surgirem ou se for detectada glucose na urina dois dias consecutivos.

A determinação do nível de glucose no sangue é o teste que se utiliza mais frequentemente, sendo a hora em que se realiza a determinação muito importante. Como a ingestão de comida vai elevar o açúcar do sangue por várias horas, é melhor testar o sangue durante pelo menos 6 horas após a refeição.

Quando testamos o sangue queremos determinar o nível mais alto e o mais baixo de glucose do dia. O registo mais elevado deve surgir mesmo antes da administração de uma injecção de insulina. O mais baixo deve ocorrer no pico de actuação da insulina. Este dá-se normalmente 5-8 horas após a administração da insulina, e deve ser determinado durante o processo inicial de regulação. Assim, o procedimento correcto consta do seguinte:

  • Alimente o seu cão com a refeição matinal habitual, e traga-o imediatamente ao hospital. Se não o conseguir trazer dentro de 30 minutos, não lhe dê de comer.
  • Traga o seu cão de manhã cedo sem lhe administrar a insulina.
  • Será retirada imediatamente uma amostra de sangue, e de seguida iremos administrar a injecção de insulina e dar uma refeição, no caso de ele não ter comido em casa.
  • Uma segunda amostra de sangue será retirada no pico de actuação da insulina.

Se o seu cão se excitar ou ficar muito nervoso na viagem, ou durante a estadia no hospital, as leituras da glucose podem surgir anormalmente elevadas. Se isto ocorrer, é melhor internar o seu cão na manhã (ou tarde) anterior aos testes de modo a que ele se vá ambientando até ao momento em que se iniciarem os testes. Caso contrário, os testes não nos irão fornecer as informações necessárias ou suficientes.

O teste alternativo é denominado de teste da fructosamina. Este, determina a média dos níveis de glucose sanguínea nas duas semanas anteriores. É menos influenciado pelo stress e por inconsistências na dieta e exercício. Para alguns cães este é o mais adequado. Não requer jejum e pode ser realizado a qualquer hora do dia.

A hipoglicémia pode ocorrer em cães?

Hipoglicémia significa nível baixo de açúcar no sangue. Se for inferior a 40 mg/dl, pode representar risco de vida. A hipoglicémia pode ocorrer em duas situações:

Se a dose de insulina for muito elevada. Embora a maior parte dos cães necessite da mesma dose de insulina por grandes períodos de tempo, é possível que a sua necessidade de insulina se altere. Porém, a causa mais comum para essa alteração é a redução da ingestão de comida e um aumento do exercício ou actividade física. A razão pela qual deve alimentá-lo antes das administrações da insulina é precisamente para que lhe seja mais fácil verificar se há alteração do apetite. Se o seu cão não come, dê-lhe metade da dose de insulina. Se durante as 12 horas seguintes:

  • não voltar a comer e não comer na refeição seguinte, não lhe admnistre a insulina;
  • apenas petiscar e comer na refeição seguinte, dê-lhe a dose de insulina normal.
  • Se no dia seguinte não comer, contacte de imediato o H.V.P. Se comer, continue o protocolo habitual.

Se for administrada uma dose de insulina superior ao normal.Geralmente ocorre quando a quantidade de insulina não foi bem medida na seringa, ou porque foram dadas duas doses. Pode-se ter esquecido que já tinha administrado a injecção e tê-la repetido, ou outra pessoa também já ter realizado a administração. Uma tabela de registo, de certa forma ajuda a prevenir este tipo de situações.

A altura mais propícia à ocorrência de hipoglicémia é quando ocorre o pico do efeito da insulina (5-8 horas após a injecção de insulina). Quando a glucose do sangue só está ligeiramente baixa, o cão vai estar prostrado e deprimido, não respondendo ao chamamento. Em poucas horas, a glucose aumenta e ele volta ao normal. Uma vez que os cães dormem bastante durante o dia, este sinal importante é facilmente menosprezado. Esteja atento. É o primeiro sinal de que estão a surgir problemas. Caso surja, traga o seu cão para analisarmos o sangue.

No caso de este período de letargia se prolongar, dê-lhe mel, uma colher de café via oral, ou esfregue uma pequena quantidade na gengiva, caso ele se mostre renitente à ingestão . Se não obtiver resposta em 15 minutos, repita a administração de mel. Se voltar a não obter resposta, telefone para o hospital imediatamente para que lhe sejam dadas mais instruções.

Se surgir um episódio de hipogligémia severa, o cão pode ter convulsões ou perder a consciência. Isto é uma situação de emergência que pode ser revertida apenas pela administração de glucose intravenosa, portanto traga-o de imediato ao H.V.P.

Resumo das instruções

  • Leia várias vezes este documento, para que entenda como deve ser realizada a regulação e como pode reconhecer e tratar um episódio de hipoglicémia.
  • Compre imediatamente o que necessita para efectuar os tratamentos. A receita especifica o tipo de insulina e seringas que deve utilizar. Se tiver que utilizar tiras de urina para medir a glucose, pode adquiri-las na farmácia.
  • Administre a primeira injecção de __________ unidades/ml às ______ horas.
  • Traga o seu cão às ______ horas, no dia ________________ . Nessa manhã, dê-lhe de comer, mas não administre a insulina, e traga-o imediatamente ao hospital. (Se sabe que a viagem demora mais do que 30 minutos, telefone primeiro e pergunte se deve ou não alimentá-lo.)
  • Volte ao nosso hospital passados 2 a 4 dias para medir a glucose no sangue. Este deve ser realizado 5-8 horas após a administração de insulina. Se estiver a dar duas injecções diárias de insulina, assegure-se que o teste é realizado antes da segunda injecção.
  • Volte ao hospital para novo teste passado 1 mês. Novamente, deve ser realizado 5-8 horas após a administração de insulina. Se estiver a dar duas injecções diárias de insulina, assegure-se que o teste é realizado antes da segunda injecção.
  • Volte ao hospital para novo teste passado 1 mês. Visto que nesta altura vamos determinar o nível da fructosamina, a altura do dia não é importante , assim como não necessita de jejum prévio.