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Dematite Atópica

por Dr.a Sara Peneda em 21 de Novembro de 2007
A alergia ambiental, bem descrita em humanos, é também frequente em cães e gatos. Entre os alergenos mais comuns estão os pólens, ácaros e determinadas plantas; qualquer partícula ambiental pode tornar-se num potencial alergeno.
Como se caracteriza a dermatite atópica?
A atopia surge como um prurido sazonal que, com o passar dos anos, se vai alargando no tempo. Os episódios de prurido com origem atópica iniciam-se cedo na vida do animal (entre o primeiro e o terceiro ano de idade). A alergia à picada de pulga, outra das principais causas de prurido sazonal, tende a surgir mais tarde (entre os três e os cinco anos).
O controlo deste tipo de prurido responde rapidamente aos corticoesteróides (prednisona, depomedrol, dexametasona).
Qual o tratamento recomendado para a dermatite atópica ?
Prednisona (ou outros corticoesteróides)
A medicação com recurso a corticoesteróides tem sido eficaz na diminuição do prurido. Inicia-se o tratamento com doses elevadas, que vão sendo diminuídas gradualmente até controlo do prurido. É importante fazer-se este desmame, de forma a evitar os efeitos secundários associados a estes compostos. Os cães com atopia respondem positivamente num período de dias. Nos gatos que não toleram a administração oral de comprimidos opta-se pela injecção de cortisona de libertação prolongada.
Os problemas surgem quando, para o controlo do prurido, se tornam necessárias doses cada vez maiores de corticoesteróides. A prednisona é uma hormona que afecta todo o organismo. Os efeitos secundários incluem:
· Aumento da sede;
· Aumento do apetite;
· Incontinência urinária;
· Fraqueza muscular;
· Imunodepressão;
· Aborto;
· Pancreatite;
· Letargia
Se o seu animal apresentar algum destes sintomas recomenda-se terapêutica alternativa para o controlo do prurido. Geralmente aconselha-se alteração do plano terapêutico, devendo considerar-se as seguintes opções:
· Terapêutica alternativa;
· Aprofundar o diagnóstico (pode haver um tratamento específico para o seu animal);
· Recurso a médicos veterinários especialistas em dermatologia;
· Terapêutica contínua com corticoesteróides, mas fazendo regularmente a monitorização das doses destes compostos no organismo (exame de check-up geral, painel sanguíneo anual, urinanálises três a quatro vezes por ano).
Os gatos são mais resistentes aos efeitos adversos das hormonas esteróides, podendo levar injecções de corticoesteróides de longa acção em intervalos de três meses. Se um gato necessitar deste tipo de injecção em meses alternados, devem ser procuradas alternativas para assegurar o controlo da doença.
Alternativas aos corticoesteróides:
Existem diversas alternativas à prednisona; infelizmente nenhuma produz uma resposta tão eficaz.
Anti-histamínicos – Estes fármacos são relativamente inócuos, quando compoarados com a prednisona, mas apenas 10 a 20% dos animais respondem à sua administração. De notar que os anti-histamínicos são mais eficazes em gatos do que em cães.
Suplementação com ácidos gordos – Atenção, estes compostos não equivalem a adicionar óleo à comida dos animais! A suplementação com ácidos gordos actua como um medicamento, cuja acção visa diminuir a produção de mediadores inflamatórios ao nível da pele. São frequentemente utilizados em conjunto com outras medicações.
Ciclosporina (Atopica) – Este é um novo produto específico para cães, que tem mostrado uma eficácia semelhante à da prednisona no tratamento da dermatite atópica. Este fármaco, que modula a resposta imunitária exagerada característica da dermatite atópica, tem sido determinante na diminuição da administração de corticoesteróides. Apesar de ser um tratamento mais dispendioso comparativamente aos corticoesteróides, não conduz aos efeitos adversos típicos destes últimos.
Hiposensibilização/Imunoterapia?
A imunoterapia é um tratamento de hiposensibilização, indicado para o controlo dos sintomas da dermatite atópica em cães e gatos. Consiste na administração subcutânea de pequenas quantidades dos alergenos, responsáveis pelas reacções alérgicas. Progressivamente, vai-se aumentando o volume e a concentração do alergeno injectado. O objectivo da imunoterapia é tornar o animal menos sensível aos alergenos, e evitar o uso durante longos períodos de outros medicamentos, que possam ter mais efeitos secundários.
O que é necessário para realizar uma imunoterapia?A imunoterapia é um tratamento que é preparado individualmente, variando a sua composição de animal para animal.
Para a preparar, o laboratório necessita que o médico veterinário especifique quais são os alergenos que estão supostamente a ser responsáveis pelos sintomas e que por isso devem ser incluídos na vacina.
Todos os alergenos podem ser incluídos numa imunoterapia?Quantos mais alergenos incluirmos na imunoterapia, menos quantidade de cada um podemos colocar, o que faz com que normalmente só seja aconselhado até 8 a 10 alergenos por cada imunoterapia. Os componentes da imunoterapia são seleccionados em função da história clínica do animal, do ambiente no qual este vive e dos pólens e da sua relevância clínica. Só assim se conseguirá a máxima eficácia do tratamento.
A imunoterapia é eficaz?Na maioria dos animais (50 a 80%) se a imunoterapia tiver sido bem formulada, e se forem usados alergenos de qualidade, os sintomas podem ser eficazmente controlados.
A imunoterapia é segura?Normalmente os tratamentos de hiposensibilização têm poucos efeitos secundários, o uso de alergenos diluídos em hidróxido de alumínio faz aumentar a segurança destes tratamentos, pois ao ser injectados no animal com este veiculo os alergenos são absorvidos mais lentamente, o que diminui o risco de provocar qualquer reacção anafilática.
Quanto tempo demora até se verem os resultados desta terapia?Os animais não reagem todos da mesma forma a uma imunoterapia, no entanto a maioria dos animais apresentam uma melhoria 3 a 6 meses após termos iniciado o tratamento.
O sistema imunitário do animal necessita de algum tempo para desenvolver as suas defesas. É aconselhável continuar com o tratamento até ao final de um período inicial de 7 meses de tratamento. Se se observar uma melhoria clínica (diminuição do prurido) deve continuar-se com o tratamento de manutenção.
Alguns animais só conseguem uma melhoria parcial dos sintomas.
Durante a primeira fase do tratamento, pode ser necessário realizar alguma medicação adicional, como sejam antihistaminicos ou corticoides para que o animal se possa sentir melhor.
Durante quanto tempo se deve administrar a imunoterapia?
A duração desta terapia varia de animal para animal, mas uma vez que a alergia é um processo crónico, para controlar os sintomas deveria tratar-se o animal durante toda a sua vida. No entanto, uma vez tendo controlado os sintomas pode ir-se alargando o período entre injecções ou até mesmo suspender o tratamento.