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Hipertiroidismo

por Hospital Veterinário do Porto em 19 de Janeiro de 2007

 

Hipertiroidismo é uma doença metabólica causada por uma hiperactividade da glândula tiroide, um orgão encontrado em ambos os lados da traqueia ao nível da base do pescoço. Esta glândula produz hormonas da tiroide que são depois encaminhadas para a circulação sanguínea, através da qual chegam a outros orgãos onde vão exercer a sua acção: regular o metabolismo ou a taxa de actividade corporal. Estas hormonas são responsáveis por uma variedade de acções incluindo a regulação da produção de calor , carboidratos, proteínas e lípidos. Também interfere com o sistema nervoso central pelo aumento do tónus do sistema nervoso sismpático.

Quando a glândula tiróide se encontra hiperfuncional as hormonas são produzidas em excesso e o metabolismo do animal aumenta afectando muitos sistemas orgânicos, isto é, quando são produzidas muitas hormonas o “motor interno” do gato “acelera” e por isso interfere noutros “comandos”.

 Não tratar esta patologia será eventualmente fatal mas a condição pode agora ser tratada com sucesso.

 

 

Qual é a causa da doença?

 

O hipertiroidismo foi pela primeira vez diagnosticado em gatos há 30 anos e é raro em cães. Na maioria das vezes é causado por uma forma de neoplasia benigna da glândula tiroide, contudo, ainda não é clara a causa do desenvolvimento desta neoplasia.

A doença é rara em gatos jovens mas torna-se comum em animais de idade mais avançada. É considerada a doença endócrina (hormonal) mais frequente de gatos de meia idade a idade avançada. Não se verifica predisposição genética, racial ou sexual.

 

 

Quais são os sintomas?

 

Os gatos hipertiroides apresentam uma variedade de sinais clínicos reflectindo disfunção orgânica múltipla, apesar de um sinal clínico poder predominar. Os sinais podem ser médios a severos, dependendo da duração da condição, capacidade do gato se adaptar ao excesso de hormonas da tiróide, e a presença ou ausência de anormalidade em outros sistemas de orgãos. A primeira indicação de que qualquer coisa está mal é o aumento marcado do apetite do gato. E mesmo que coma mais quantidade de comida, perde peso e o seu pêlo fica áspero e com zonas sem pêlo (alopecia).

Outros sintomas, que refletem o aumento do metabolismo,  incluem inquietação e agressão, tremores musculares, aumento da quantidade de água bebida, de

 urina, da frequência respiratória, vómitos e diarreia. Aproximadamente em 10% dos casos os sintomas são atípicos e ocorre o contrário do que era esperado, tal como depressão, apatia, perda de apetite e fraqueza física.

 

Como é que o meu veterinário diagnostica o hipertiroidismo?

 

Além de reconhecer os sintomas, existem outros passos até se fazer o diagnóstico. Durante o exame físico da glândula tiróide pode-se sentir a glândula com tamanho aumentado e consistência granulosa ou rugosa. O estado geral do animal vai progredindo para a caquexia e hipertensão. A doença é progressiva, isto é, vai agravando com o tempo, e os sintomas, quando médios, são muitas vezes considerados normais para a idade. Por esta razão, podem passar alguns meses até que estes sinais chamem a atenção do veterinário. Exames de sangue são normalmente requeridos para descartar outras patologias do fígado ou dos rins. Directamente medindo os níveis de hormona no sangue pode ajudar a confirmar o diagnóstico se estiver mais elevado que o normal mas em alguns gatos os níveis da hormona tiroxina podem ser normais. O veterinário também irá querer avaliar o coração do gato, uma vez que um batimento cardíaco acelerado ou irregular será uma indicação. Diagnóstico precoce e tratamento é importante para prevenir e reverter lesões no coração e nos rins.

 

Que hipóteses de tratamento existem?

 

Tratamento com medicação:

Existem medicamentos que bloqueiam a produção de hormonas da tiroide, administrados  1 a 3 vezes por dia. É simples e não requer cirurgia, sendo mais indicado para animais com doença renal severa, mas não ilimina a causa primária da doença que é a glândula alterada, pelo que este tratamento será mantido para toda a vida do gato. Para além disso, podem existir efeitos colaterias do medicamento, como fadiga e anemia, e o gato terá de ser cuidadosamente monitorizado para acertar a dose. Também pode ser dispendioso para um gato diagnosticado relativamente cedo, em que a sua vida e tratamento se prolonguem por muitos anos.

 

Tratamento cirúrgico:

 Remoção da glândula anormal, o que se traduz em cura permanente, sem necessidade de mais medicações. Contudo, não é favorável para animais com doença renal severa ou muito idosos. E requer anestesia geral, o que não é muito indicado para animais idosos. Pressupõe monitorização cuidadosa para garantir que não há interferência na hormona paratiroide, que se situa proxima da tiróide, e é responsável pelo metabolismo do cálcio.

 

Radiação:

Uma injecção de iodo radioactivo destroi o tecido anormal da tiroide e deixa livres as células normais intactas. Não requer anestesia e pressupõe um único tratamento. Mas este tipo de abordagem terapêutica não existe em Portugal, e o gato será isolado e não poderá ser tocado durante quatro semanas, até que o nível de radiação baixe, o que também será dispendioso.

 

 

O que é melhor para o gato?

 

A decisão de qual método escolher deve ser tomada após consulta com o veterinário. Cada uma tem vantagens e desvantagens para o gato. Há muitos factores a considerar: idade do gato, severidade da doença, presença ou ausência de outras patologias, e o risco de complicações. Os custos também podem ser um factor já que qualquer que seja o tratamento será um pouco dispendioso.