in O Comércio do Porto em 2005-06-20
ESTUDANTES DE TRÁS-OS-MONTES A ÉVORA PASSAM 12 MESES NO PORTO
Com o estágio, os futuros veterinários preparam-se para o que pensavam existir só nos livros
CRISTINA MOTA
Estão a terminar os cursos e ansiosos por praticar os ensinamentos que receberam nas salas de aula. Por isso se candidatam aos lugares de estágio e no caso do curso de veterinária, o Hospital Veterinário do Porto (HVP) é um dos locais eleitos pelos alunos “pelas condições e pela exigência”, daí que anualmente passem por ali cerca de 7 estagiários que cumprem um esquema de 12 meses de formação. O resultado “é positivo”. Sara Peneda, de 25 anos, concluiu no ano passado o plano curricular do curso de Veterinária no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, do Porto, e está ali desde Setembro. Não tem dúvidas que tem “aprendido imenso porque os caos que aparecem são interessantíssimos e cada dia é um dia diferente, não há dois dias iguais.
No HVP Sara e os seus colegas fazem “uma urgência de seis em seis dias e estão distribuídos em três áreas: a consulta, a cirurgia e o internamento”. A estagiária não consegue “definir uma só área porque todas elas têm o seu encanto”. De uma coisa parece certa: Fiz a opção correcta, já que no meu ano estávamos todos a ser encaminhados para outras áreas da veterinária, porque nos incutiram a ideia de que o mercado dos pequenos animais estava saturado e como tal ninguém se candidatou a um lugar aqui, pelo que não foi difícil conseguir um lugar”. Sara Peneda tem assim a certeza de que “neste campo ainda há caminhos a explorar”.
“Estou a aplicar na prática coisas que na faculdade consideravam que não iam ter o mínimo de interesse”
O estágio acaba por ser uma etapa importante na carreira de qualquer estudante e neste caso não foge à regra. “Estou a aplicar na prática coisas que considerava que não iam ter o mínimo de interesse e, por outro lado, estou a solidificar cada vez mais o que aprendi”. É com segurança que diz que “um estágio é um investimento” e também uma preparação para o pior. Sara Peneda não tem ainda muito que dizer, mas “numa urgência de noite fiquei bastante assustada com um caso que apareceu de um cão com torção de estômago. Já tinha visto um caso destes, mas sendo uma patologia de urgência em que é preciso actuar de imediato, e sendo de noite, fiquei bastante assustada pelo panorama em si”.
Entretanto teve já “um dia de azar” em que foi “ferrada e arranhada, mas nada de grave”, assegura. Nada que já não tenha sentido com a sua cadela “Tessy”, de 14 anos, e o gato Tuga”.
No HVP pode dizer-se que existem pronúncias já que Sara é estagiária da Universidade do Porto, mas partilha o estágio com colegas das universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, Évora e Lisboa.
Carla Tavares, de 24 anos, era das estagiárias que estavam a verificar o internamento e também considera o estágio “muito importante já que tem acesso a um número de casos muito variado e isso dá uma grande vantagem”. Oriunda de Vila Real, Carla ainda não sabe muito bem o que vai fazer no futuro, mas está apostada na sua formação e é por isso que está a pensar “num estágio no estrangeiro” assegurando que optaria pela “área da emergência e dos cuidados intensivos”.
Entretanto, deitava-se o olho à cirurgia que o colega de Évora estava a partilhar com o director do HVP.
APOSTA NA FORMAÇÃO
Os estagiários no HVP são sujeitos a uma “entrevista para o qual os candidatos são convocados e são aceites candidatos de todas as faculdades do país, tendo também já tido candidatos de Espanha”, de acordo com o director pedagógico Luís Lobo.
Os alunos chegam até ali depois porque “as comissões de estágio e as associações de estudantes das faculdades são informadas do número de vagas que temos para cada ano lectivo, contactando os interessados a concorrer ao estágio”.
Luís Lobo esclarece que “há muitos anos que uma das políticas deste Hospital Veterinário é a ajuda na formação de jovens veterinários, alguns dos quais, dentro das muitas dezenas que por aqui passaram, fazem hoje parte do corpo clínico deste Hospital”.