in Jornal de Matosinhos em 2003-04-03
Exponor recebeu maior feira ibérica de zootecnia
Provas de agilidade na Exposição Canina foram o ponto alto do certame
A Exponor – Feira Internacional do Porto recebeu, entre 6 e 9 deste mês, aquele que é tido como o maior certame ibérico, consagrado aos animais de estimação: a Expozoo.
Na sua 5ª edição, o Salão Internacional de Zootecnia tem vindo a registar um crescimento significativo, não só no que respeita ao número de visitantes e de expositores, como em termos de área ocupada. Por ser um acontecimento de referência, com um cariz multidisciplinar, junta outros certames, como a Internutri – Feira Internacional de Produção e Nutrição Animal, que se caracteriza por ser um espaço de debate de temas técnicos relativos à produção e nutrição animal.
Mas a grande novidade deste ano foi a realização do 1º Salão de Produtos e Equipamentos para Veterinária. Uma feira constituída com a finalidade de suprir uma lacuna de mercado e instigar a evolução deste segmento, já que recorre paralelamente a duas exposições que atraem diversas entidades e empresas especialistas em produtos e equipamentos para animais domésticos.
Ao longo de quatro dias, os sessenta expositores exibiram cães, gatos, pássaros, peixes, répteis, roedores, terrários, gaiolas, aquários, acessórios, medicamentos, produtos alimentares, veterinários e zoosanitários, e os mais diversos serviços à disposição neste sector.
Como é tradição, a Exponor elaborou um amplo programa de conferências subordinadas aos mais variados temas, para o que contou com a colaboração de diversas entidades. Casos da IACA – Associação Portuguesa dos industriais de Alimentos Compostos para Animais, da APEZ – Associação Portuguesa de Engenheiros Zootécnicos, do CPC – Clube Português de Canicultura e do Sindicato e da Ordem dos Médicos Veterinários, que levaram a debate um dos temas que actualmente merece especial atenção por parte dos profissionais desta área: o “ Controlo de populações de animais em zonas urbanas: legislação. O sistema de identificação animal”.
Paralelamente decorreram workshops, exposições variadas e um mini zoo.
Por ser igualmente aberto ao público em geral, nos dois últimos dias da feira realizou-se a que pode ser considerada a principal atracção deste evento: a 63ª Exposição Internacional Canina que, entre outras acções, inclui provas de agilidade que atraíram um elevado número de espectadores. E como vem sendo hábito, o Clube Português de Canicultura convidou o Hospital Veterinário do Porto a estar presente, por forma a prestar assistência numa pequena clínica montada especialmente para a ocasião.
Uma equipa médica constituída por três médicos e dois auxiliares de veterinária avaliaram o estado vacinal e sanitário dos animais, “já que há certas doenças infecto-contagiosas que podem ser transmitidas neste tipo de situação, em que existe uma grande concentração de animais”, esclareceu o director do HVP, Mário Santos.
O médico explicou que a presença do hospital teve o propósito de prevenir algum infortúnio “e quando acontece algum, tenta remediá-lo”.
Mordeduras, golpes de calor provocados pelo facto de os cães ficarem fechados dentro de automóveis suportando temperaturas elevadas, enquanto aguardam pelo desfile, são algumas das situações que costumam ocorrer neste género de exposição, pelo que a presença de um stand veterinário assume importância acrescida.
E para fazer face a situações mais graves que pudessem ocorrer e que necessitam de uma ao hospital ou implicassem internamento, esteve em permanência no recinto da feira uma ambulância.
Mário Santos afirma que a Exposição Canina é o certame indicado para quem estiver interessado em escolher um cão. Para o veterinário, na última década verificou-se uma melhoria significativa nos cuidados de saúde primários que as pessoas dão aos animais: “Tem-se assistido a um aumento das visitas aos veterinários assim como no carinho que lhes dão. Talvez porque o nível de vida foi aumentando e são cada vez mais os que crescem e são educados na companhia dos animais. Daí o acréscimo na sensibilidade e na afeição”.
Todavia, a este progresso contrapõe-se o elevado número de cães abandonados, sobretudo no Verão: “Temos que chegar a um ponto em que não existam cães abandonados nas ruas. Mas tudo isto é uma questão de cultura. Se viajarmos até aos países do Norte da Europa, não se vêem cães abandonados, dado que as pessoas têm outra mentalidade em relação aos animais”.
Mário Santos diz que esta é uma situação que ainda vai demorar a estar resolvida, “mas acabaremos por lá chegar”. CV