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Animais geriátricos

por Hospital Veterinário do Porto em 1 de Janeiro de 2009

Tal como nos humanos, são muitos os efeitos da idade em animais geriátricos. Assiste-se a um aumento da percentagem de gordura, a pele torna-se mais fina, elástica e hiperpigmentada, diminui a massa muscular, diminui o tecido ósseo e a espessura das cartilagens. Por outro lado surgem complicações como as artrites e artroses, diminui a capacidade cardíaca e respiratória, surgem problemas de incontinência urinária, diminui a capacidade do sistema imunitário e diminui o número de células do sistema nervoso.

Idade média apartir da qual se considera um animal geriátrico:

Raças pequenas (até 10 kg)11,5 anos
Raças médias (10-22 kg)10 anos
Raças grandes (22-40 kg)8,5 anos
Raças gigantes (>40 kg)7 anos

Factores que afectam a esperança de vida

  • Cães de raças pequenas vivem mais tempo do que os de raças grandes.
  • Cães de raças mistas têm um tempo de vida superior aos de raças puras.
  • Animais obesos têm uma menor esperança de vida.
  • Animais castrados têm uma maior esperança de vida do que os animais inteiros.
  • Animais que vivem estritamente dentro de casa vivem, em média, mais tempo de que os que vivem no exterior.

Doenças comuns associadas à idade

Sistema cardiovascular

  • cardiomiopatia
  • endocardiose
  • endocardite
  • arritmias
  • doença pericárdica
  • hipertensão sistémica

Sistema respiratório:

  • parálise laríngea
  • síndr. respiratório braquicéfalo
  • tumor
  • colapso da traqueia
  • pneumonia
  • bronquite
  • efusão pleural

Sistema gastrointestinal:

  • doença intestinal inflamatória
  • enteropatia por perda de proteína
  • tumor

Sistema hepato-biliar:

  • hepatite crónica
  • cirrose
  • tumor
  • litíase biliar

Endócrino:

  • diabetes mellitus
  • hipotiroidismo
  • hiperadrenocorticismo
  • hipoadrenocorticismo
  • insulinoma
  • timoma
  • hipoparatiroidismo
  • hiperparatiroidismo
  • feocromocitoma
  • tumor

Sistema genito-urinário:

  • insuficiência renal crónica
  • incontinência urinária
  • urolitíase
  • hiperplasia prostática
  • tumor

Sistema hematológico e imunológico:

  • anemia
  • tumor
  • alterações da coagulação
  • poliartrite imunomediada
  • lupus eritematoso sistémico

Sistema neurológico:

  • hérnia discal
  • discoespondilose
  • discoespondilite
  • mielopatia degenerativa
  • tromboembolismo fibrocartilagíneo
  • cauda equina

Outros:

  • cataratas
  • doenças orais (estomatites, gengivites, tártaro, cáries)
  • doenças cognitivas
  • obesidade

Afecção do sistema músculo-esquelético

Muitas destas patologias requerem tratamentos longos, por vezes para toda a vida, exigindo um grande envolvimentos dos proprietários. A maioria das vezes estas doenças levam a uma diminuição da actividade dos animais, permanecendo longos períodos deitados. São várias as alterações do sistema músculo-esquelético associadas a estas condições:

  • diminuição da massa muscular e de tecido ósseo, tornando os ossos mais frágeis e susceptíveis a fracturas; a “cicatrização” óssea é mais demorada;
  • diminuição da função muscular, relacionada não só com a diminuição do número de células, como também pelo desenvolvimento de zonas de fibrose e diminuição do aporte de oxigénio aos músculos;
  • surgem doenças articulares degenerativas (artroses), resultando da menor “alimentação” das células articulares devido à falta de movimento; muitas vezes estas lesões articulares são agravadas pelo excesso de peso dos animais.

Manutenção da qualidade de vida

A todos os animais geriátricos devem ser aplicados programas de bem estar. Estes incluem:

  • exercício frequente e controlado, sem nunca ultrapassar os limites tolerados pelo animal
  • passeios lentos e curtos 4-5 vezes ao dia
  • natação em piscinas aquecidas (exercício com impacto muito reduzido na estrutura óssea e articulações): sessões curtas de 10-15 minutos 2-3 vezes por semana
  • sessões de massagens e exercícios passivos em animais com mobilidade reduzida
  • alteração da posição do animal de 2-2 horas em animais totalmente imóveis, de forma a evitar lesões musculares e cutâneas por imobilização prolongada
  • estimulação neuromuscular em pacientes com atrofia muscular moderada e severa
  • termoterapia, crioterapia e estimulação eléctrica nervosa transcutânea (TENS), no caso de apresentação de dor músculo-esquelética; estes constituem métodos de analgesia com a vantagem de não apresentarem os efeitos secundários dos anti-inflamatórios.

Cuidados com o ambiente:

  • os animais devem ser retirados de ambientes exteriores, frios e húmidos para espaços interiores, aquecidos e secos;
  • deve estar disponível uma cama própria ao nível do chão, com materiais suaves, ligeiramente almofadados e facilmente laváveis; poderá colocar botijas de água quente por baixo de cobertores de forma a manter o local quente durante toda a noite, diminuindo a rigidez e espasmos musculares associados ao frio;
  • o piso deve ser anti-derrapante e macio nas áreas de circulação;
  • deve evitar a descida e subida de escadas, mantendo o animal no piso térreo ou colocar rampas anti-derrapantes sobre as escadas; alternativamente, poderá alterar a conformação das escadas de forma a diminuir a altura e aumentar a profundidade de cada degrau; desta forma, facilita o seu uso por animais com mobilidade reduzida e dor articular;
  • evite actividades excessivas aos fins-de-semana e grande contacto com cães jovens hiperactivos.