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O papel dos proprietários
por Hospital Veterinário do Porto em 1 de Janeiro de 2009
O sucesso de um plano de fisioterapia é determinado não só pelo envolvimento dos profissionais do centro de fisioterapia, como também pelo empenhamento dos proprietários durante a realização de exercícios terapêuticos em casa. Este é, sem dúvida, essencial à recuperação do animal. Os tratamentos são geralmente longos, no entanto podem evidenciar resultados visíveis rapidamente, especialmente em tratamentos de doenças agudas. Já em tratamentos de doenças crónicas poderemos ter de esperar várias semanas ou meses até se notarem melhorias.
Características necessárias para um bom desempenho dos proprietários:
- motivação para desenvolver um plano de fisioterapia durante 1-2 meses
- capacidade de coordenar os horários das sessões de fisioterapia (em casa e no centro de fisioterapia) com o seu horário laboral diário
- deve apresentar uma boa preparação física e mental, de modo a permitir o desenvolvimento correcto dos exercícios propostos, durante várias semanas.
São vários os exercícios passíveis de serem realizados em casa, incluindo por exemplo, a termoterapia, crioterapia, massagens, movimentos passivos e determinados exercícios activos. Os passeios diários, lentos e com trela são fundamentais em todos os protocolos de fisioterapia, surgindo quase sempre em fases iniciais da reabilitação.
Todos os exercícios são inicialmente explicados aos proprietários numa sessão de fisioterapia onde acompanham o Médico Veterinário. Posteriores dificuldades podem sempre ser debatidas nas visitas seguintes ao centro de fisioterapia.
Maneio dos pacientes
Em casa
O piso das áreas de passagem deve ser anti-derrapante, podendo para tal cobrir o chão com tapetes de borracha (p. ex. tapetes de cozinha). À entrada das escadas deve colocar uma barreira que impeça a passagem do animal, p. ex. uma porta de madeira ou grades de alumínio (estão disponíveis sistemas próprios para crianças nas lojas da especialidade).
A área onde o animal dorme deve ser quente, macia, plana e ligeiramente alcochoada. No entanto, deve permitir que o animal se levante sem dificuldade e sem perda de equilíbrio. +>
Desencoraje o animal a subir para os sofás, camas ou outros planos elevados, de modo a evitar quedas e possível agravamento de lesões. Alternativamente poderá instalar uma pequena rampa ou degraus anti-derrapantes para facilitar a descida.
Se os animais apresentam alterações a nível do pescoço, deverá colocar as taças de comida e água ao nível da coluna, evitando movimentos excessivos quando se alimentam; nestes casos não deverá usar coleiras, mas sim peitorais.
Transporte em automóvel
Todos os pacientes com problemas ortopédicos ou neurológicos devem ser auxiliados ao subir e descer do automóvel. Isto aplica-se não só aos que apresentam manifesta dificuldade em realizar tais exercícios, como também aos animais em recuperação que demonstram pequenas alterações na marcha ou qualquer grau de doença a nível da coluna. Os animais de raças pequenas devem ser sempre elevados na totalidade (transportados ao colo); já com os animais de raças grandes deveremos primeiro colocar os membros da frente no banco, seguido da elevação dos membros posteriores. Se transportamos raças gigantes na mala ou zonas de carga, devem instalar-se rampas anti-derrapantes de acesso.
O condutor deve preocupar-se sempre em conduzir a velocidades baixas, evitando zonas de trepidação e grandes oscilações nas curvas. O animal deve ser directamente acompanhado por uma pessoa durante toda a viagem.
Os passeios
Todos os passeios devem ser controlados através do uso de trela curta; desta forma, garantimos a velocidade aconselhada pelo Médico Veterinário e evitamos saltos ou outros exercícios activos passíveis de agravar as lesões apresentadas.
Devem evitar-se todos os pisos derrapantes (tijoleira, superfícies húmidas, etc.) e excessivamente duros (p. ex. cimento ou alcatrão). Idealmente deve procurar superfícies relvadas ou arenosas. Evite sempre as áreas com escadas, planos inclinados, superfícies rochosas ou a praia, excepto se houver indicação médica em contrário.
Os animais com dificuldade de equilíbrio devem ser auxiliados através da colocação de uma toalha por baixo da barriga. Existem alguns dispositivos próprios com vários tamanhos (sling) à venda nas lojas de animais.
Cuidados com a alimentação
Os animais com restrição prolongada do exercício ou mobilidade natural reduzida por problemas ortopédicos ou neurológicos, apresentam uma menor necessidade energética. Os exercícios aconselhados no plano de fisioterapia são essenciais à recuperação das lesões apresentadas, mas não implicam um gasto de energia significativo. Desta forma, deve ser diminuída a quantidade de ração anteriormente fornecida. Em animais que não respondem bem à diminuição da quantidade de alimento fornecido, deverá introduzir-se uma ração menos calórica. As rações premium contêm ingredientes de alta qualidade com todos os nutrientes essenciais em quantidades equilibradas, facilitando consideravelmente o maneio alimentar nestes casos. Alternativamente, nos casos do animal não aceitar bem a mudança de dieta, poderá diminuir-se a quantidade de ração normalmente fornecida e misturá-la, por exemplo, com vegetais cozidos.
Deverá evitar-se o fornecimento de biscoitos ou outras “guluseimas”, tendo sempre o cuidado de diminuir a quantidade de ração fornecida sempre que tal não acontece. Por forma a minimizar esta tentação, poderá usar biscoitos de dieta (com baixo teor< calórico) ou fornecer fruta (maças, por exemplo).
O peso corporal deverá ser monitorizado uma vez por semana.