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A Dor
por Hospital Veterinário do Porto em 1 de Janeiro de 2009
A dor é um mecanismo de defesa que protege o organismo das agressões a que está sujeito. Exemplo disso é o facto de retirarmos a mão de uma superfície muito quente para não nos queimarmos; nestes casos, somos alertados para um determinado trauma, reagindo de modo reflexo, obrigando-nos a evitar o agente agressivo. No entanto, as dores crónicas e severas, como por exemplo as dores após uma cirurgia, além de serem eticamente inaceitáveis, causam reacções de stress que podem, por si só, afectar a função de vários órgãos (coração, pulmões, estômago e intestinos) e deprimirem o sistema imunitário.
A dor pode ser classificada de acordo com a duração (aguda ou crónica), com o local de origem (músculo-esquelética, neurológica ou visceral) e com a situação clínica (aguda traumática, pós-operatória, crónica degenerativa, neuropática ou associada a um tumor).
A avaliação da dor requer um exame físico geral, exame músculo-esquelético e exame neurológico do animal. Os parâmetros fisiológicos mais importantes nesta avaliação são a frequência cardíaca, frequência respiratória, coloração das mucosas, dilatação das pupilas (midríase) e as pressões sanguíneas sistólica e diastólica.. De uma forma mais subjectiva, mas não menos importante deverá, também, ter-se em atenção outros parâmetros como sejam a vocalização, ausência de apetite, salivação excessiva, comportamentos anormais (depressão, agressividade, agitação, inquietação), posturas anormais (coluna arqueada, posição de rezar, diminuição do apoio de um membro, etc), claudicação, atrofia muscular, diminuição da mobilidade articular, presença de dor à palpação, tensão muscular e, por vezes, lesões por auto-mutilação.
O que poderemos fazer para combater a dor?
Os pacientes com evidência de dor necessitam de um maneio multimodal, no qual a fisioterapia desempenha um dos principais papeis. Vários estudos clínicos de Medicina Humana e Medicina Veterinária realçaram a eficácia da fisioterapia em programas multidisciplinares do maneio da dor. Os seus efeitos incluem uma diminuição directa da dor e da depressão associada, uma redução da ansiedade do animal, do stress e das alterações metabólicas e hormonais induzidas pela dor; desta forma, permite que o animal se mantenha muito mais confortável. O maneio multimodal acima referido inclui o uso de:
- Analgésicos
Aliviam a dor através do bloqueio da transmissão de sinais nervosos dolorosos. - Frio (aplicação de gelo)
Diminui a dor através da vasoconstrição, diminuição da inflamação, controlo da febre e redução do edema após um trauma agudo. - Calor (botija de água quente)Promove uma diminuição da tensão muscular e um aumento da circulação sanguínea local.
- TENS (Estimulação eléctrica nervosa transcutânea)
A dor diminui através da libertação de opióides endógenos (substâncias que suprimem a dor), através do aumento do fluxo sanguíneo local, relaxamento muscular e consequente quebra do círculo vicioso da dor (dor - tensão muscular - aumento da pressão sobre as articulações - aumento da dor - tensão muscular…). - Massagem
Diminui a dor devido à indução de relaxamento muscular, diminuição das adesões entre os tecidos, aumento do fluxo sanguíneo local e quebra do círculo da dor. - Restrição de exercício/confinamento
A imobilização permite reduzir as situações potencialmente dolorosas, impedindo que os sinais dolorosos se formem.
A aplicação destes meios deve ser iniciada o mais rapidamente possível após a estabilização do animal, prevenindo complicações associadas a hospitalizações prolongadas para maneio da dor. Este maneio deve ser aplicado sempre numa base proactiva, ou seja, antecipando o desenvolvimento da dor e nunca apenas após a evidência de sintomas dolorosos. Desta forma, evitamos tratamentos mais agressivos e conseguimos recuperações mais rápidas e eficazes, garantindo sempre o conforto máximo do animal.